sexta-feira, novembro 11, 2005

amor fugaz

Finalmente a câmara fotográfica russa, do início do século passado, herança do avô morto doze anos atrás, serviria para alguma coisa. Luana trancou-se no quarto e se despiu. Sem pressa, pegou calcinha por calcinha até encontrar a que mais lhe agradasse. Fez o mesmo com o sutiã. As unhas do pé, atraentemente rosas, pareciam ainda mais rosadas diante do contraste da pele morena, resultado de finais de semana ensolarados na areia da praia. Perfumou-se. Era um ritual pessoal, de libertação. Muito mais do que de conquista do outro. Encontrava-se completamente apaixonada. Encontrava-se completamente nua. Brincava com os dedos, e com a língua, e com os cabelos negros e compridos (cerca de dois palmos abaixo do ombro). Clicou-se no espelho. Uma. Duas. Três chapas. Na cama macia, sob um edredon azul-esverdeado que emulava as ondas do oceano, Luana deitou-se.
E dormiu pra sempre.

sem saída

me espreme contra a parede
tira todo jugo de mim
me acomoda entre os sulcos
desse amor que não tem começo
nem
fim

artistas e modelos

Não só continuo a beijá-la como se estivesse sorvendo toda a sua boca, língua e fôlego com a grande boca morena, como suas mãos a machucaram, apertando a carne profundamente, deixando marcas e dor por tudo.

Anaïs Nin, Delta de Vênus

Nem tudo são flores

As flores são simples, quase pobres.
A intenção é digna, quase nobre.
Você que é linda... quase minha!
(Faltou rima; sobrou desejo)

beijo na boca
(que eu ainda lembro a forma, mas quase esqueço o gosto)